24 May 2019 20:35
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Mulheres do Paranhana: Um olhar feminino sobre a sociedade

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Fotos: Lêaí

Elas são a maioria entre os brasileiros com 51,6% da população, estão presentes em todos os espaços sejam públicos ou privados. As mulheres lutam dia a dia em busca de seu lugar na sociedade. Mesmo sendo a maioria da população, as mulheres ainda sofrem com uma série de preconceitos e estigmas para estarem de fato incluídas e respeitadas na sociedade.

O cenário vem melhorando ao longo dos anos, pois graças a militância e ao perfil combativo das mulheres elas já alcançaram inúmeros direitos, mesmo assim a busca por condições iguais a dos homens ainda tem um longo caminho, principalmente, quando assunto é remuneração salarial, cargos de chefia e na política.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres trabalham em média, três horas a mais por semana do que os homens, isso considerando o trabalho remunerado e os afazeres domésticos, já a média de remuneração é, em média 76,5% do salário de um homem.

Mas já no quesito formação escolar as mulheres dominam, segundo o estudo apresentado pelo IBGE 21,5% das mulheres com idade entre 25 e 44 anos de idade têm uma graduação completa, no caso dos homens esse número cai para 15,6%.

No ramo empresarial a diferença também é considerável, pois somente 19% das empresas têm mulheres em cargos de gerência e liderança, em cargos como CEO´s e direção executiva esse número cai para 16%, e em 53% das companhias brasileiras não têm mulheres ocupando esses cargos.

Mas as lutas das mulheres vão além da empregabilidade e condições igualitárias de trabalho, em campos como política, por exemplo, ainda falta a tão sonhada e buscada representatividade. Um ponto negativo é o crescimento de índices de violência contra a mulher.

Segundo a ONU Mulher, só em 2018 foram registrados 30.198 casos de violência física, 15.803 ocorrências de violência doméstica e familiar, 23.937 casos de violência psicológica, 7.036 tentativas de feminicídio, 4.491 de violência sexual e 3.960 de violência moral. Já os casos de denúncias feitas pelo Disque Denúncia (180) aumentaram 25,9% em relação a 2017 e também aumentou as tentativas de feminicídio em 46%. Esses dados revelam que no Brasil são mortas três mulheres por dia. Uma das principais ações no combate à violência da mulher, são as delegacias especializadas, porém, existem apenas 443 nos 5.570 municípios do Brasil.

O Dia Internacional da Mulher

Você conhece a origem desse dia, o que aconteceu para ser essa data? Existem várias versões para esse fato, uns dizem que foi em 1911 após um incêndio em uma fábrica têxtil em Nova York, quando cerca de 130 mulheres morreram carbonizadas. Já a outra versão tem data de 1910, durante a 2ª Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, que criava uma resolução para a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher sendo aprovada por mais de 100 representantes de 17 países. Existem ainda outras versões sobre a data, que só foi oficializada em 1921.

No Vale do Paranhana

Segundo o censo do IBGE, nas cidades da região, apenas Três Coroas apresenta paridade entre homens e mulheres, nas demais há mais mulheres que homens.

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Fotos: Lêaí

Para entender mais sobre o contexto da mulher na região ouvimos representantes das cidades de Parobé, Taquara e Igrejinha em diferentes perspectivas e visões. A representante de Taquara é a professora e vereadora pelo Partido dos Trabalhadores, Mônica Facio, que falou sobre os direitos da mulher, as conquistas, legislação e também sobre como a Reforma da Previdência, pode atingir as mulheres.

Monica é professora com formação também em Filosofia e Pedagogia, além de ser mestranda em Desenvolvimento Regional. Para ela, o papel da mulher é definidor na sociedade, de lutas e representatividade “hoje, principalmente, o papel é dar voz para traçar um rumo para aquelas mulheres que estão em uma situação de violência e estão silenciadas, e que nem são sabedoras da situação dos seus direitos”. Explica.

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Foto: Divulgação

Para ela, também é papel da mulher ser voz potente e cuidar uma da outra “estamos vivendo um período de maior violência contra a mulher da última década. Precisamos avançar nesse esclarecimento no cuidado com as mulheres. Cuidar das mulheres é cuidar de todo o núcleo que a mulher está inserida”. Declara.

Monica destaca também o abandono das políticas públicas para mulheres por parte do governo “hoje não temos no país ações estratégicas para combater a violência contra a mulher”. Para ela, a aplicação de medidas apoiadas nas leis Maria da Penha (11.340/06) e na lei do Feminicídio (13.104/2015) pode fazer a diferença na sociedade.

A Reforma da Previdência somada a Reforma Trabalhista prejudica principalmente às mulheres, para Monica isso interfere na construção da sociedade “as reformas não consideram o terceiro turno e a sobrecarga que as mulheres têm”. Finaliza.

Na política as mulheres são a maioria entre os eleitores, com 52,2% do eleitorado brasileiro é composto de mulheres. O número de mulheres eleitas no último pleito se manteve igual no Senado, onde elas ocupam 13% das cadeiras, já na Câmara aumentou de 10% para 14% e nas Assembleias passou de 11% para 13%.

Já em Igrejinha a história é de emocionar, a participante é Valquíria Sohne, autora do livro “Tudo Aconteceu... Num Piscar de Olhos”. Valquíria aos 35 anos foi vítima de um Acidente Vascular Encefálico (AVE), que a deixou sem movimentos e sem a capacidade de falar oralmente, ela se comunica através dos olhos.

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Foto: Divulgação

Quem nos ajudou nesse contato foi a sua mãe Lia Sohne que interpretou os sinais da filha, perguntamos a ela sobre o papel da mulher na sociedade “além de cuidarem da casa e dos filhos, muitas mulheres estão assumindo o sustento de sua família, assim assumindo um papel cada vez mais importante na sociedade”. Comenta.

Sobre seu livro “Tudo Aconteceu... Num Piscar de Olhos”, ela diz que não imaginava que iria alcançar tantas pessoas “eu não imaginava tanta repercussão, esse livro tocou o coração das pessoas mostrando minha maneira positiva de enfrentar as dificuldades, fiquei tão empolgada que já estou escrevendo outro livro”. Conta.

Valquíria deixou um recado para o dia da mulher “As mulheres tem muita força dentro de si, às vezes essa força está escondida, eu, por exemplo, me agarrei ao amor pelo meu filho para continuar lutando pela vida. Lute que vale a pena!” Declarou.

A representante de Parobé é Eiza Scrinz de 28 anos, Policial Militar há dois anos. Segundo ela, a mulher conseguiu conquistar seu espaço na sociedade “tempos atrás, a mulher era educada somente para exercer o papel de dona de casa. Sem direito a serviço remunerado ou até mesmo ao voto, era pouco valorizada na sociedade, mas aos poucos buscou seu espaço e independência”. Comenta.

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Foto: Divulgação

O trabalho do dia a dia como policial militar, é cheio de surpresas, desafios e metas, Eiza conta que para ela é bem tranquilo “a instituição tem vários setores para atuar, depende do perfil que você se enquadra ou tem preferência”. Explica.

Sua história na Brigada Militar começou logo após o ensino médio “decidi me tornar policial militar em 2008, e na segunda tentativa obtive sucesso”, ela contou também que mesmo com os receios e riscos obteve o apoio da família “era meu sonho ingressar na Brigada Militar, e graças a eles não desisti, mesmo nos momentos difíceis que passei”. Finaliza.

Seja na política, na segurança, na educação ou até mesmo no seio familiar, as mulheres se destacam como as principais responsáveis pelo funcionamento da sociedade.

Comentários

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Leitor do Vale • 2 meses atrás

Parabens mulheres quereiras