24 May 2019 21:08
Logo Lêaí

Jovem contratado pelo Grêmio tem deficiência auditiva

jovem-contratado-pelo-gremio-tem-deficiencia-auditiva-1

Guilherme Rodrigues -  GR Press - Divulgação Grêmio

Recentemente uma notícia movimentou o mundo da inclusão, pois novamente o futebol deu um exemplo. Desta vez o destaque vai para o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense que apostou em um meia atacante de 19 anos com uma deficiência auditiva hereditária, já que seu pai e seu avô apresentam a mesma condição.

Jhonata Robert Alves da Silva se destacou pela equipe gaúcha na participação na Copa São Paulo de Futebol Júnior, quando a equipe chegou às quartas de final, diante do Corinthians. Ele estava emprestado pelo Barra, de Santa Catarina, e depois do bom desempenho na competição, o Tricolor exerceu o direito de compra.

O jovem é um camisa 10 clássico e marcou dois gols na competição, até aí não seria nada de novo um clube contratar um jovem promissor, porém, Jhonata possui uma deficiência auditiva que lhe reduz a 70% a capacidade em cada um dos ouvidos.

Para conhecer mais da história de Jhonata, conversamos com o próprio, que contou sobre sua carreira e a deficiência, entre outras coisas. Segundo ele, sua deficiência auditiva não tem um nome específico, e que com o tempo aprendeu a lidar com ela “meu dia-a-dia tem sido bem tranquilo pelo fato de hoje eu saber lidar com isso”, mas ele conta que nem sempre foi assim “antigamente que era um pouco mais complicado pelo fato de não reagir bem, hoje em dia é chato, mas nunca me atrapalhou”. Conta.

Ainda é natural no meio das pessoas com deficiência a presença de bullying e outras formas de preconceito, Jhonata conta que isso fez parte da sua rotina, mas que não se deixou abater “já sofri bullying sim, na escola e em treinos”, mas o desejo e o sonho de ser jogador de futebol o ajudaram a vencer mais esse jogo “eu fui me adaptando no meio do futebol, procurando ficar mais atento e ligado pelo fato de ter esse problema e comecei a me aplicar ainda mais”. Explica.

Sobre ser um exemplo para outras pessoas com deficiência, ele diz que não pensa nisso, porém, frisa a busca por seu sonho em ser jogador de futebol “Eu não sei se sou, mas só queria deixar claro que nada pode impedir a gente de realizar nossos sonhos, então corra sempre atrás independentemente de qualquer coisa, que vai dar tudo certo”. Afirma.

Como o clube trabalha essas questões

Ouvimos também Francesco Barletta, Coordenador-Geral das Categorias de Base do Grêmio, que falou sobre a estrutura da base do clube e como eles trabalham questões como a de Jhonata “temos uma estrutura toda voltada para a individualidade do atleta e para suas necessidades. Para isso temos toda a equipe multidisciplinar para atender isso, com psicóloga, assistente social, pedagoga, nutricionista, entre outros.” Conta.

A deficiência

Pode parecer estranho, mas a deficiência de Jhonata realmente não tem um nome que a caracterize. Para entender mais sobre isso, pedimos para a fonoaudióloga Augusta Roth Valentini explicar as diferentes perdas auditivas. Segundo ela, o primeiro passo, é entender a audição “define-se como audição normal aquela em torno de 20 decibéis, que permite ouvir todos os sons da fala e a associação da fala com a audição, possibilitando, assim, o desenvolvimento das habilidades auditivas e da linguagem. Valores acima de 25 dBNA (decibéis nível de audição) podem ser considerados perda auditiva”. Explica.

jovem-contratado-pelo-gremio-tem-deficiencia-auditiva-2

Foto: Augusta Roth Valentini - Divulgação

Ela também explica que independente da causa e graus da perda auditiva, ela se enquadra nos quatro tipos deficiências auditivas que são: Condutiva, Sensorioneural, Mista e Neural. Além disso, Augusta explicou os níveis de deficiência auditiva que vão de leve (26 a 40 dNBA), moderada (41 a 70 dNBA), severa (71 à 90 dNBA) ou profunda (maior que 91 dNBA). Veja a figura abaixo:

jovem-contratado-pelo-gremio-tem-deficiencia-auditiva-3

Audiograma de sons familiares

Outros jogadores com deficiência

Jhonata sem dúvida, é um caso interessante, porém, outros atletas com deficiência já tentaram carreira no futebol. Como é o caso do uruguaio Matías Dutour, revelado pelo Nacional do Uruguai, o jovem de 24 anos nasceu com uma má formação no braço esquerdo. Seu último clube foi o Rocha Futbol Club, Matías luta para garantir seu lugar no esporte e para vencer o bullying, já que frequentemente sofre com piadas dos torcedores adversários.

Na época da Copa do Mundo fizemos lá na Deficiência em Foco uma série chamada Copa do Mundo e Pessoas com Deficiência, na qual contamos a história de quatro personagens, que representaram diferentes deficiências em uma Copa do Mundo.

Seja com Jhonata, Matías ou outros craques da bola, a deficiência é um fenômeno natural da vida humana, não é benção ou castigo, exemplo ou superação. Todos esses casos são sim um alerta para que juntos possamos construir um mundo mais inclusivo e aberto às diferenças, e convenhamos, o futebol é o maior exemplo disso.

"Este conteúdo é de responsabilidade de seu idealizador, não expressando a opinião do jornal."
Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.