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Raízes do Paranhana: Jorginho Pimentel

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Foto: Arquivo pessoal

O esporte sem dúvida é uma das raízes mais importantes da sociedade, só ela é capaz de mover pessoas em busca de seus sonhos. Como é o caso de Jorge Luis da Costa Pimentel, de 50 anos, e com 41 dedicados ao Futsal. Jorginho saiu do Rio de Janeiro e rodou o mundo jogando futsal, mas foi em Parobé que o melhor jogador do mundo em 1992 decidiu viver e ensinar futsal.

1) Quando e onde você conheceu o Futsal?

Comecei no Rio de Janeiro, na favela da Matriz, com 9 anos, fui descoberto jogando bola numa segunda-feira à noite com chuva. Um senhor negro, grisalho, veio falar comigo, eu não sabia quem era o cara achei que fosse o líder, quem comandava o tráfico na região, ai eu e mais dois fomos lá. E ele me perguntou “tu estuda na escola tal... eu fiquei sabendo que tem um garoto que joga muita bola lá” no caso era eu. Então ele disse, “eu sou olheiro de clube e quero ir na tua casa falar com a tua mãe”. No outro dia, ele foi, e a primeira coisa que minha mãe disse foi “ele não vai usar o tênis da escola pra jogar bola”. Eu tinha um tênis só para ir para a escola, passear e tudo mais.

2) Em qual clube você começou a jogar profissionalmente?

Com 15 anos eu fui jogar na Bradesco que era grande do futsal carioca na época, como é a Carlos Barbosa aqui no Sul hoje. Todo mundo queria jogar na Bradesco porque ali tu tinhas lanche. A gente ganhava misto quente com Coca-Cola, eles davam uma ficha que dava direito a um lanche antes do treino. Na Bradesco me profissionalizei com 16 anos, com 17 anos fiz meu primeiro treino no profissional. Depois vim para Grêmio. Joguei 7 dos 11 anos da Enxuta de Caxias do Sul, fui para a Europa, Seleção Brasileira fiquei 15 anos na seleção. Joguei na Espanha, fui o primeiro brasileiro a jogar na Arábia Saudita, primeiro brasileiro a jogar na Rússia joguei Gazpron, Norilsk e no Spartak Moscou e encerrei a carreira no Atlético do Vale em 2012.

3) Quais dificuldades que você enfrentou na carreira?

Cara foram muitas, desde não ter um tênis para jogar até ter que enfrentar o idioma russo e depois na Arábia Saudita. Eu não falava inglês nem nada foi difícil, mas conquistei os caras dentro de quadra, foi jogando que as coisas deram certo. O importante foi conseguir cumprir a promessa de dar uma casa para minha mãe, e isso eu consegui.

4) Você já jogou descalço? Conta pra gente essa história?

Os meus primeiros jogos foram descalço, eu era motivo de chacota. Como eu não tinha tênis, eu jogava futebol descalço. Quando eu cheguei na escolinha eu era o único sem tênis, ai os outros meninos riam de mim, aquilo machucava, doía, mas eu transformava aquilo em vontade para jogar. Dentro de quadro eu conquistei o respeito deles. Na época teve um pai que se sensibilizou e me deu um tênis usado do filho dele, só que o tênis era uns números maiores, mas como pé de pobre não tem número eu peguei jornal amassei e preenchi o que sobrava.

5) Quais títulos você conquistou na carreira?

Fui campeão gaúcho, campeão da nacional, campeão do mundo com a Seleção Brasileira em 1992, título que me rendeu o título de melhor do mundo. Na Rússia ganhei a Copa Ural (1999/2000), Copa da Rússia (2000/2001) e a Supercopa da Rússia (2000/2001).

6) Como surgiu a ideia de criar um projeto social? E quem pode participar?

Essa escolinha aqui é a íris dos meus olhos, é meu sorriso, eu fui uma criança carente também, esse projeto tira da rua protege da criminalidade. A ideia surgiu quando eu estava com 36, 37 anos e já projetava o fim da minha carreira. Quando eu vim para o Atlético do Vale tirei essa ideia do papel. Hoje estamos com quatro escolinhas em três cidades diferentes, duas só em Parobé. Quem quiser participar é só nos procurar pessoalmente ou nas redes sociais e vir.

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Jorginho no projeto social "Jorginho 13 - Cidadão sem Diferenças" - Foto: Antonio Silva

7) Você é um dos três brasileiros a ser eleito o melhor do mundo no Futsal, qual a importância disso na sua vida?

Isso aqui é minha vida (da um beijo) no troféu, o futsal é minha vida, tudo o que tenho e sou devo ao esporte. Na época da eleição de melhor do mundo 55 jornalistas e treinadores votaram, eu ganhei 54 votos. E no projeto tento passar meu conhecimento para ajudar esses garotos a realizar o sonho deles também. Esse troféu é 50% da minha vida. Hoje eu estou colhendo os frutos daquela sementinha que plantei lá com nove anos de idade.

8) Como você vê o cenário do futsal atualmente? O que mudou da sua época para agora?

As coisas mudaram na minha época jogávamos um outro futsal, antigamente a quadra tinha 28 metros, hoje tem 40. Nos anos 1990 o goleiro não podia fazer ligação direta, tínhamos que ter jogadas ensaiadas para chegar ao gol do adversário, também não valia gol dentro da área. Hoje o goleiro pode lançar direito e gol dentro da área, por exemplo, isso mudou a marcação e o jogo perdeu em competividade.

9) Como foi a tua vinda para Parobé?

Em 2002, quando estava de férias na Rússia, fui convidado para jogar um campeonato pelo Águia do Vale, de Parobé. Foi assim que conheci a cidade. Já depois que parei de jogar decidi ter uma vida tranquila e em paz, e foi em Parobé que encontrei isso, já estou há sete anos aqui e estou muito feliz.

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