24 May 2019 20:01
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Cuidados com a pele no verão - Dicas com Dr. Ricardo Carniel

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Foto/Arte: Reprodução

Iniciado em 21 de dezembro de 2018, o verão em que nos encontramos tem tido recordes de temperaturas. No fim do mês de janeiro, as cidades do Vale do Paranhana registraram temperaturas de até 42º. Todo esse calor e sol forte requer muita atenção, pensando nisso, conversamos com o Dr. Ricardo Carniel, médico dermatologista, que nos contou algumas prevenções e cuidados que devemos ter nesses dias escaldantes.


A Queimadura Solar está entre os principais problemas de pele que ocorrem no verão, seus sintomas são: dor, queimação, ardência, pinicamento, mudança de textura da pele e bolhas, que estão ligadas à profundidade e à gravidade. Elas são causadas pela permanência prolongada ao sol, não uso do filtro solar, contato ou uso de produtos sensibilizantes como: limão, perfumes e algumas frutas; e uso de remédios sensibilizantes ao sol.

As queimaduras de sol são classificadas em três graus:


1. 1º grau, a camada mais superficial da pele é atingida, a epiderme. Quando ocorrem, causam vermelhidão ou manchas escuras;

2. 2º grau, a epiderme, e parte da derme, são atingidas. É comum a dor, inchaço, descamação ou bolha superficial;
3. 3º grau, a queimadura atinge a camada mais profunda da pele, alcançando toda derme. Esse caso é o mais grave, com formação de grandes bolhas.

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Foto: Divulgação

Ao adquirir a queimadura, a orientação mais importante é procurar um serviço de saúde que possa avaliar o grau, extensão e comprometimento geral do paciente em relação às queimaduras de sol. Não use nenhum produto, curativo ou receita caseira sem avaliação do médico. Qualquer conduta para amenizar as queimaduras de sol deve ser tomada pelo especialista. Os tratamentos para queimadura de sol são variados, desde o uso de cremes calmantes e cicatrizantes (todos devem ser prescritos pelo médico). Já o uso de curativos especiais é indicado para os casos intermediários ou graves.


Outros problemas que podem surgir, são:

Micoses superficiais:

Infecções fúngicas que atingem a pele, o cabelo e as unhas e caracterizam-se por apresentar vermelhidão, descamação ou coceira. Normalmente aparecem em áreas de dobras, que são regiões mais quentes e que acumulam suor. As mais comuns são a pitiríase versicolor, popularmente conhecida como pano branco, a tinea pedis, que são as famosas frieiras, e a tinea cruris, uma micose que acomete a virilha.


Um dos principais cuidados é evitar ficar com o corpo suado ou molhado muito tempo, usando, por exemplo, talco ou amido em áreas de dobras. Os tratamentos podem ser tópicos e via oral, dependendo da gravidade.

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"Pano Branco". Foto: Divulgação

Bicho geográfico:

É uma dermatite linear serpiginosa tropical causada por parasitas encontrados em fezes de gatos e cachorros doentes. A larva das fezes desses animais penetra na pele humana, causando coceira e lesões semelhantes a mapas, por isso o nome bicho geográfico. Cuide-se evitando levar e frequentar praias com animais domésticos, por exemplo. O tratamento é tópico, feito com cremes, crioterapia ou por via oral.

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Divulgação

Acne solar:

A acne solar consiste no aparecimento de cistos e pústulas em áreas expostas ao sol. É mais comum em peles oleosas, com exposição solar exagerada, uso inadequado de filtro solar e/ou óleos bronzeadores. O tratamento é feito com a higienização da pele, adequação de filtro solar e cuidados tópicos. Para os casos mais graves, podem ser recomendados antibióticos orais.

Foliculite:

É uma infecção bacteriana do folículo piloso com um quadro clínico semelhante ao de espinhas nas áreas de pelo, principalmente barba e nuca nos homens e axilas e virilha nas mulheres. Piora com a frequência e o tipo de depilação, falta de hidratação da pele e hábitos como usar roupas muito justas, por exemplo. O tratamento pode ser tópico e com algumas mudanças de hábitos, como uma depilação a laser e roupas que não apertem tanto.

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A foliculite é semelhante às espinhas. Foto: Divulgação

Câncer de pele:

Esta patologia merece menção pela gravidade e pelo fato de a exposição excessiva ao sol ser o seu principal fator de risco. O excesso de sol, especialmente quando resulta em queimaduras, favorece a patologia. O efeito é cumulativo e começa a contar desde a infância. Quanto mais vermelhões, ou até bolhas, alguém tem na vida, maior a chance de ter câncer de pele no futuro. A melhor maneira de preveni-lo é usar protetor solar e evitar exposição solar excessiva. Os tratamentos variam de acordo com o tipo de câncer de pele.

Impetigo:

É uma infecção causada por bactérias staphylococcus e streptococcus, que geralmente atinge mais as crianças e costuma aparecer na região periorbicular da boca e nariz (o espaço entre o nariz e a boca). É preciso ter cuidados com a higiene e manter as unhas da criança curtas para que ela não coce. O tratamento é feito com limpeza local e antibióticos tópicos.

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Foto: Divulgação

Em termos de prevenção o que se pode fazer no dia-a-dia para manter a saúde da pele?

Tomar um banho por dia deve ser suficiente para manter a pele devidamente limpa. Pode-se tomar mais banhos, mas é recomendado usar somente água, evitando o sabonete para não deixar a pele mais ressecada. Sabonete antisséptico pode ser útil para eliminar as bactérias e outros micro-organismos das axilas, região íntima e pés. Tomar mais do que dois banhos ao dia é prejudicial, pois haverá ressecamento e envelhecimento precoce da pele.


Após o banho é importante passar creme hidratante onde a pele tende a ficar mais seca, como pés, joelhos, mãos e cotovelos. A depilação deve ser feita, pelo menos com 48 horas de antecedência ao expor ao sol. Depois de um dia de praia, deve-se tomar um banho de água doce, de preferência fria, para retirar o sal e areia.

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Foto: Divulgação

Evite fazer tratamentos com laser e produtos químicos durante o verão. Eles podem manchar permanentemente a pele. É recomendado comer alimentos que contêm carotenóides como cenoura, abóbora, mamão, maçã e beterraba, pois estes alimentos protegem do câncer e deixam a pele mais bonita e hidratada.


Deve-se tomar bastante água, sucos ou isotônicos, pois na exposição ao sol, a pele desidrata com facilidade. Nas horas mais quentes do dia, entre as 10h e às 16h deve-se evitar a exposição solar direta.

Qual a importância do uso do protetor solar?

O uso do protetor solar é extremamente importante, pois ajuda a prevenir o câncer de pele, além de evitar insolação, queimaduras, manchas, envelhecimento precoce, flacidez, entre outras complicações dermatológicas. O Protetor solar não deve ser utilizado apenas nos dias de sol, deve ser usado todos os dias, até mesmo no inverno.


A eficácia do protetor está diretamente relacionada com a dosagem correta que deve ser aplicada sobre o corpo, levando-se em consideração a cor e o tipo de pele. A quantidade certa de protetor solar para prevenir os efeitos danosos do sol a ser aplicada na pele é de 2 mg/cm², o que corresponde a cerca de 40 ml para um indivíduo que pese 70 Kg. Em medidas práticas, uma colher de chá deve ser aplicada no rosto e no pescoço, uma colher de chá de protetor para a parte da frente do tronco e outra para a parte de trás, uma colher de chá para cada braço, uma colher de sopa para a parte da frente de cada perna e outra para a parte de trás de cada perna.

Com essas quantidades, o ideal é que seu protetor dure no máximo três finais de semana.

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Foto: Divulgação

Cuidados ao escolher protetor solar:

Tão importante quanto o fator de proteção solar (FPS: proteção contra raios UVB) é o PPD (proteção contra raios UVA): ele deve ser equivalente a um terço do valor do FPS. Para peles claras, o FPS mínimo deve ser 30, e o PPD mínimo deve ser 10. Para peles escuras, o FPS mínimo deve ser 15, e o PPD mínimo deve ser 5. O filtro deve ser aplicado 20 a 30 minutos antes da exposição solar, e aguardar 20 minutos antes de mergulhar.


Reaplique o filtro a cada 2 horas, logo após mergulhar e quando houver transpiração excessiva. Filtros à prova d’água também precisam ser reaplicados.

Cuidados ao escolher o autobronzeador:

Os bronzeadores são substâncias químicas que estimulam a produção de MELANINA da pele, com o objetivo de promover a pigmentação. Se somarmos esse efeito ao do sol, haverá grande risco de queimaduras, portanto, bronzeadores DEVEM SER EVITADOS!


Uma boa alternativa para quem gosta da pele bronzeada são os autobronzeadores, esses têm a capacidade de pigmentar a pele independentemente da exposição solar, pois não há participação da melanina. É sempre bom usar um esfoliante antes de aplicação do autobronzeador para eliminar células mortas e ter uma coloração mais uniforme e bonita. E, depois, hidrate, para a cor durar mais tempo.

Mas lembre-se: o autobronzeador não oferece proteção solar. É importante aplicar o filtro solar quando houver exposição mesmo sob o efeito do autobronzeador. Esta é uma orientação para aproveitar o verão de maneira saudável e segura.

Com estes cuidados você pode aproveitar, não só o verão, mas o ano todo de maneira segura e saudável.

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Torres, litoral norte do Rio Grande do Sul. Foto: Alina Souza/Arquivo Palácio Piratini

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